
Spassov, Fernando Couto, Holmberg e Marco Almeida. Todos tiveram o quarto forrado com posters dos Poison. E o Spassov, para além disso, tinha medo de se pentear.
Agora Tales Schutz (santinho) vive feliz, com uma impressionante e inédita estabilidade, num fértil campo de arroz com mais 30 ou 40 milhões de chineses, mais o Sidrailson – que deixou um rasto de saudade em Barcelos –, o relativamente obscuro Cacá e o igualmente icónico Detinho. Como podem ver na fotografia ao lado, e a menos que um escorpião lhe tenha paralisado os músculos faciais, Detinho está com um óptimo aspecto, encontrando finalmente um fato que lhe servisse.
Um destino fabuloso não está apenas ao alcance de Nuno "Gomes"… desculpem, da Amélie Poulain. Há quem coleccione autocolantes das mais variadas latitudes na sua mala de viagem assim como o nosso saudoso Eusébio (ex-Tirsense, ex-Beira-Mar, ex-Braga e ex-mullet) coleccionava cartões amarelos.
Passado o Cristo-Rei, sintonizámos o velho rádio de pilhas nos 150.0 MHz da Nostalgia FM, em busca dum relato qualquer. A nossa preferência ia para o escaldante Alfarim – Marítimo Rosarense.


As coisas piaram mais fininho quando chegou a hora de entregar o Rui Óscar para Melhor Filme de Terror. Com o Incrível Hulk já fora do pavilhão a mastigar camiões TIR, o Rocha do Duarte & Cia a vender papagaios de papel na praia e o Joker entretido a pintar um auto-retrato (sim, auto) da Mona Lisa, as atenções viraram-se para o único vilão presente: o sanguinário Ávalos, de regresso aos certames lusitanos.


O grande arrebatador das estatuetas douradas desta noite foi, indubitavelmente, “Fight Club”, um “thriller” intenso que recebeu os galardões para Melhor Realização, Melhor Argumento Original, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Desculpa Para Ganhar Um Belo Salário Sem Jogar.
O elenco posou para a posteridade com as estatuetas na mão e foi a grande sensação da noite. Pelo menos, até Stojkovic começar a embirrar com o brilho dos Rui Óscares, que supostamente não era intenso o suficiente para satisfazer o auto-proclamado “melhor guarda-redes actor do mundo”.
Na categoria de filme estrangeiro, o vencedor foi a comédia negra “Chromespotting”, uma história que gira em torno de um grupo de jovens levados pelo vício do futebol, com todas as consequências nefastas que daí advêm.
As infames performances de Benítez, Had, Balboa, Sepsi e Purovic embaraçaram algumas almas mais sensíveis, especialmente quando percebemos a decadência evidente das suas personagens. Mas como também divertiram de sobremaneira o público, a atribuição do Rui Óscar acaba por se justificar.
Para receber o prémio, o vencedor do galardão de 2007 – Mrdakovic. Ninguém afecto à realização de “Chromespotting” se mostrou disponível para atender à gala e Mrdakovic não se importou de receber nova distinção. É que, segundo as palavras do próprio, “o Rui Óscar do ano passado era uma Mrda e este, sim senhor, é um bibelot do Kovic”.
Uma das grandes películas do ano, o “affair” Katsouranis-Luisão, não podia passar em claro perante o júri. Um romance épico, com altos e baixos próprios de um casal de amantes que partilham uma casa desgovernada, que cativou tudo e todos. Luisão estava particularmente exuberante com o seu Rui Óscar para Melhor Cabeça Deformada Adaptada a Travesti, enquanto o galã Katsouranis esteve discreto ao receber a estatueta para Melhor Tentativa Para Fugir do Benfica Enquanto É Tempo.
Pelo sim, pelo não, tendo em mente a tempestuosa noite de amor havida em Setúbal, ambos receberam os prémios em salas distintas e nunca se encontraram durante a cerimónia.
Um dos filmes mais polémicos do ano acabou por receber apenas o Rui Óscar para Melhor Descalabro do Ano, o que soube a pouco. Notou-se alguma consternação por “Wall Street” ter falhado algumas das nomeações importantes para as quais fora designado, entre as quais se destacava o Rui Óscar atribuído pela Polícia Judiciária.
Ainda assim, “Wall Street”, onde dinheiro, música e terrenos se misturam explosivamente numa só avenida, foi sem dúvidas um dos dramas do ano. Para receber o prémio esteve Álvaro Braga Júnior, dada a indisponibilidade manifestada por todo o elenco, produtores e realizadores. Enfim; estranho, mas compreensível.
Fiquem sintonizados para as noites seguintes desta grande Gala. Esperem por mais filmes de acção, de aventura e de terror. Sim, Bruno Alves e Binya estarão presentes, seus apologistas do jogo ultra-viril.



São estes dois abre-latas do círculo central, e não nos referimos à sua capacidade para desbravar linhas de passe ousadas por entre uma floresta de adversários, mas sim à sua habilidade natural para rasgar inocentes latas de conservas apenas com o uso das suas evoluídas dentições.
O Tico era Hugo. Sempre à cata de nozes e avelãs, este arisco alentejano deu nas vistas por ter marcado um golo ao FC Porto que deu a vitória ao Farense, já lá vão mais de 15 anos. Nascia a next-big-thing do futebol português. Mas, no final da sua carreira intermitente em que pulou pelas árvores de Leiria, Salgueiros, Beira-Mar e Louletano, o que restou na memória foi o seu teclado bocal. E que teclado: há quem diga que Carlos Costa aprendeu a tocar xilofone batendo com as caneleiras nos dentes de Hugo – mas há também quem diga que Hugo morderia fatalmente quem o ousasse fazer e que Carlos Costa não atinava com o dó-ré-mi. Agora Hugo anda a mastigar alfarrobas em São Brás de Alportel.
O Teco era Horvath. Um fanático por madeira, carapaças de tartaruga e tudo o que constituísse um desafio à sua força dental. O seu Donald foi Augusto Inácio. Este médio-esquilo (não confundir com médio-esquerdo) notabilizou-se pela destruição de balizas à dentada. Quando sorria, o mundo sorria com ele; quando chorava, o mundo também sorria com ele, pois pensava que Horvath ainda estava a sorrir. Agora deambula pelos parques poluídos da Boémia, em busca de frutos secos para suportar a hibernação. Ainda não ouviu falar de aparelhos ortodônticos.
Um dia contamos desvendar quem são os Patetas do futebol português. Ou, pelo menos, um terço deles – o que já nos deve ocupar até à nossa reforma.
Hoje trazemo-vos um presentinho sob forma de pedacinho de céu embalado num reluzente embrulho youtubiano.
Jogava-se a época de 1993/1994. Mal ou bem, jogava-se a época de 1993/1994.
Eram tempos de fartura, churros e bonomia. As bancadas de terra batida do António Coimbra da Mota causavam expectoração castanha, Petar Mitharski liderava o ataque dos Fama Boys, Mangonga trocava constantemente a primeira letra do nome de Tuck por um "F", o Heitor lesionava três gajos por treino só na marcação de livres directos, e os dentes do Hugo faziam mais furor entre as algarvias do que a Zundapp do Floris Schaap.
Nas Antas, a descontrolada Toni-Mania deixava o luso-guineense sem mãos a medir perante os caçadores de autógrafos, e Alves Nilo Vinha já piscava o olho à Exponor. Porém, quando a brasileiro-soviética União da Madeira chegou à Invicta, ninguém queria saber disso para nada.
O que interessava era a vitória.
(ou no caso da União, um empate a 0-0 com 15 minutos gastos em câimbras, torcicolos, pontapés de baliza, substituições e vendas de cautelas em pleno relvado)
O resultado? Um compêndio de cromicidade extenso, completo e heterogéneo.
Começamos pelo momento Michael J.Fox de Vítor Baía, num verdadeiro Regresso ao Futuro, revisitando aquilo que iria fazer dez anos mais tarde, na resposta a remate de Armando "Le Petit" Teixeira. Só que desta vez a bola entrou mesmo, cortesia do pé-canhão de Hermeluísio Santos.
De seguida, temos o momento Chuck Norris da noite. Em duelo de gigantes, o mítico Chico Nelo leva a melhor sobre o mais carismático dos carregadores de piano, o caxineiro André. Ele, que para além de ser extremamente poupado no uso de pentes, faz gala de um extraordinário bom gosto na hora de dar nomes aos seus rebentos.
Como se já não bastasse o elevadíssimo grau de cromicidade da supracitada agressão, revejam o momento Platoon que a RTP e o próprio filho das Caxinas nos oferecem dos 30 aos 36 segundos do petit-film. Slow motion rocks.
Logo a seguir, o instante mais hilariante do desafio (e provavelmente da jornada, se o Simanic não se tiver equipado).
O sempre calvo José Orlando Semedo - o Zidane de Ovar - entra vagarosamente na grande área, quando é bárbaramente agredido/derrubado pelo finíssimo bigode de Marco Aurélio. O brasileiro, conhecido Atleta de Cristo, bem deve ter rezado uns belos Pai Nossos como penitência pelos impropérios que terá dirigido ao Paulo Batista de serviço após o lance reminiscente do infame vôo de Azar Karadas frente ao Estoril de la Plage.
Como um minutinho apenas pode trazer tanta informação cromíflua às nossas carentes almas...
vídeo fornecido pelo blog basculacao.blogspot.com
Chegou a neve, o habitat natural destes monstros dos cruzamentos para lugares improváveis.
Carlos Miguel era um rapazinho tímido, incapaz de olhar o mundo de frente. Médio mediano, labutava sem esperança pela intermediária. Até que um dia bateu com a cabeça numa tabela de basquetebol e se transfigurou. Já não era o inócuo Carlos Miguel, mas sim Nenad, venenoso atacante sérvio. Carlos Miguel acariciava o fundo das listas de convocados enquanto Nenad fazia mossa nas defesas contrárias.
Eis mais dois Miguéis que afinal são só um. Miguel ou João Miguel?, era a pergunta que ecoava nas cabeças aturdidas dos adeptos da Mata Real em 1995, com aquele jogador que parecia saído de um argumento de David Lynch. Quando se sentia confiante, abraçava o nome de João Miguel e ia para o relvado de melenas ao vento e ostentando um certo ar de desdém pelo mundo; mas quando se sentia numa onda minimalista, e também para fugir aos impostos, era tão só Miguel e ia para o relvado de melenas ao vento e sempre com aquela aparência sobranceira que só Miguel, Miguel apenas ou João Miguel, sabia apresentar.
Monteiro, por exemplo, era incapaz de encarar João Miguel cara-a-cara. Sorria com desprezo da sua irritante insolência. “Esse gajo? Pfui, não lhe passo cavaco. Comigo, não há pão para malucos!”. Já em relação a Miguel, Monteiro era mais condescendente e consta que até houve uma vez em que lhe partiu uma caneleira e lhe pediu desculpas. Mas acabou por pedir desculpas ao João Miguel e, por via das dúvidas, deixou de pedir desculpas sempre que partia caneleiras a ambos.
Já Yulian não era capaz de esconder o seu espanto. “Hã? Como ser? Miguel ser João Miguel? Quê?”. A dúvida que assolava o quotidiano de Yulian é bem visível nesta foto. Há quem diga que este esgar foi causado pelo sol, há quem aponte para uma certa atrofia facial de contornos níticos, mas nós sabemos que o problema não era meramente conjuntural. Não. A culpa era do Miguel/ João Miguel, esse jogador fraudulento, o semeador da confusão, desmistificado pelos “Cadernos d’ A Bola”. 

